Eu aposto que você não lembra da minha voz. Voz a qual você dizia gostar. Aposto que também não lembra do perfume que uso, nem da minha cor preferida. Aposto que não se lembra das minhas manias, nem do meu jeito de te olhar. Aposto que esqueceu a marca do chocolate que prefiro, e do meu vício por chicletes. Aposto que não lembra do jeito que balanço a perna, nem dos meus ataques de nervosismo. Aposto que ja esqueceu dos ciúmes bobos e dos beijos inesperados. Aposto que fui só mais uma enquanto você foi tudo pra mim. Se achasse quem apostasse isso comigo, aposto que ficaria rica. Porque nós nunca fomos nós. O nós resumia-se a mim, que teimava em amar por eu e por você. Talvez não era para ser. Talvez não tenha amado o suficiente, ou talvez não tenha sido o suficiente. Se um dia eu for o bastante, talvez daremos certo.
— E foi o mesmo que dizer que nunca daríamos certo. Clarissa, s-uperou. Que talvez ainda não tenha superado. (via obtentus)
